23ª CENA CONTEMPORÂNEA

O ano de 2022 marca o retorno do CENA CONTEMPORÂNEA – FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE BRASÍLIA ao contato com o público, depois de duas edições virtuais – mesmo durante a pandemia, o evento foi realizado, oferecendo programação diária, inédita e gratuita. Neste reencontro, os espectadores verão trabalhos de artistas do Brasil, de Portugal e da Argentina, num total de 21 espetáculos de teatro e dança e um show, além de atividades formativas e educativas, como oficinas, encontros, lançamento de filme e exposição virtual. A 23ª edição deste que é um dos maiores festivais internacionais de artes cênicas do Brasil acontece de 28 de junho a 10 de julho, ocupando diversos espaços do Distrito Federal.

 

Na programação do 23º CENA CONTEMPORÂNEA, estão espetáculos como “Eu de Você”, da atriz Denise Fraga, concebido a partir da escuta do outro; “Stabat Mater”, da atriz, diretora e dramaturgista paulista Janaína Leite, que rompe as fronteiras entre arte e vida; “Solilóquio (me desperté y me golpeé mi cabeza contra la pared)”, de Tiziano Cruz, um indígena do noroeste da Argentina que fala da política de branqueamento; “sem palavras”, novo espetáculo de Márcio Abreu à frente da companhia brasileira de teatro, refletindo sobre diversidade e identidade; “Antes do tempo existir”, que aborda a questão das mudanças climáticas e o genocídio indígena; “Estudo nº 1 Morte e Vida”, do Grupo Magiluth, de Pernambuco, tratando da precarização do trabalho; “A Caminhada dos elefantes”, apresentando o trabalho do grupo Formiga Atómica, de Portugal, tratando de morte e despedida para crianças a partir dos 6 anos de idade.

 

Também poderão ser vistos a comédia “Experiencia nº 2: Encuentros breves con hombres repulsivos”, do grande diretor argentino Daniel Veronese, que oferece uma mirada ácida sobre a condição masculina contemporânea; “A Última Estação”, de Elmano Sancho, com a biografia de um conhecido serial killer da década de 1970; a volta do diretor mineiro Gabriel Vilela à estética barroca popular com “Cordel do Amor sem Fim ou A Flor do Chico”, com o grupo Os Geraldos, de Campinas, e uma seleção de trabalhos do Distrito Federal que espelham a diversidade da produção candanga.

 

E a estreia em Brasília do show “Lágrimas no mar”, novo trabalho do cantor, compositor, poeta Arnaldo Antunes, acompanhado do pianista Vitor Araújo. Um trabalho intimista e emocionante, criado ainda sob os sentimentos despertados pela pandemia. Ou, como diz Arnaldo Antunes, com “uma vontade engasgada de chorar”.

 

Esta edição do festival homenageia a Universidade de Brasília, nos seus 60 anos, através de duas personalidades fundamentais para a UnB, para Brasília e para o Brasil: o antropólogo, sociólogo, professor, escritor, indigenista e político Darcy Ribeiro, fundador e primeiro reitor da Universidade e uma das mentes mais brilhantes do Brasil, e o diretor, encenador e professor Hugo Rodas.

 

Histórico

O Cena Contemporânea nasceu em 25 de agosto de 1995 com o objetivo de inserir a capital brasileira no mapa das artes cênicas do Brasil e do mundo, promover o intercâmbio de ideias e de formação, alimentar o pensamento crítico, oferecer espaço e eco para a pulsão criativa dos artistas e provocar a reflexão sobre diversos aspectos do pensamento contemporâneo.

 

Desde a sua criação, o Cena se consolidou como um dos mais importantes festivais internacionais de artes cênicas do Brasil, programando espetáculos internacionais, nacionais e produções de artistas e coletivos do Distrito Federal, ocupando todos os principais teatros do DF e as ruas de Brasília e das cidades satélites, sempre com ingressos a preços populares ou gratuitos.

 

Em sua história, o festival recebeu milhares de artistas, apresentou espetáculos e performances de mais de 40 países de todos os continentes, promoveu algumas centenas de debates, encontros, conversas, oficinas e seminários envolvendo artistas e intelectuais do mundo todo, traçando um grande painel da produção e do pensamento do teatro e da dança na contemporaneidade.

 

Em 2022, o Cena Contemporânea comemora 27 anos, tratando de algumas das questões mais urgentes da agenda contemporânea, como migração e imigração, invisibilidade, diáspora africana, territorialidade, sexualidade, gênero, memória indígena, ancestralidade, emergência climática, exploração do ser humano pelo ser humano. Além, é claro, de temas eternos e universais como amor, vida e morte. É o teatro se oferecendo como espelho pra gente se olhar e para refletir o outro.